Seg, 15 de dezembro de 2014
Peregrinando no feriado do Corpo de Cristo - parte 3
Escrito por: Rodrigo Martins
   

Cidade barulhenta não combina com uma bela noite de sono. Ainda mais se a janela do seu quarto estiver voltada para o furdunço do principal boteco da localidade. Não contávamos com a ruidosa festança e entre música cafona escancarada, motoristas desmiolados carcando o dedo na buzina e bêbados tagarelando ao relento, perdemos preciosos minutos de sono. Ainda que cansados dos excessos da jornada anterior e sem o devido descanso necessário - levantamos bastante cedo e o café da manhã mixuruca em nada ajudou para alegrar nosso início de dia: basicamente misto quente com suco de laranja “natural” estilo Tang. Cientes que a parte legal da viagem havia ficado para trás, nos restava apenas uma longa e entediante esticada com o tradicional vento contra pelo asfalto seco da SC-411 e BR-101. Sem entusiasmo algum, a tentação de fazer um redial para o guincho amigo era grande, mas mesmo com uma majestosa preguiça enraizada nos nossos pensamentos – de forma bastante teimosa resolvemos seguir caminho montados nas corajosas bicicletas. A ideia de nunca mais precisar trabalhar mexia com o nosso imaginário e os trocentos milhões acumulados na Quina especial era um chamativo para gastar o troco dos 50 mangos que encontramos na subida da União Soviética um par de dias atrás. Antes de qualquer coisa, seguimos para a lotérica local investir o restante de nosso achado numa fézinha que naquele momento nos parecia certeira. Nos sentíamos predestinados sem possibilidade de erro, pois afinal de contas, era o sorteio especial de São João!, o nome da lotérica era São João e estávamos na cidade de São João (Batista). Finalmente o destino parecia querer sorrir para os dois desbastados e saímos da pequena fila com a certeza de possuir os números mágicos nas mãos, iniciando o pedal com uma maior firmeza de ânimo. Mal começamos o derradeiro dia e já encostamos as bicicletas novamente. Parada providencial no primeiro Super que apareceu para comprarmos água e esfervilhar a Vitamina C das crianças pedalantes. Como sempre, os dois magnetos da loucura atraíram um cidadão com muito talento para ser ator - já que pessoas normais não possuem tamanho apego pelo drama. O falante cidadão era tão chato e deprimente que nos fez pensar em suicídio coletivo como saída para aquele instante que parecia não ter fim. Disparamos o quanto antes e só fomos lembrar do quão cansados estávamos bem mais além, um pouco antes de chegarmos em Tijucas.

A preguiça desencarnou deixando a pedalada fluir agradavelmente e nessa parte da viagem já havíamos até desistido de chamar o resgate. Curtíamos o passeio pensando somente aonde iríamos almoçar. Como aportamos cedo demais em terras tijuquenses, optamos por continuar a presepada e tentar a sorte em alguma bodega da 101. Horrorosa decisão, já que acabamos almoçamos no pior restaurante da nossa história ciclística, em algum lugar nos confins de Governador Celso Ramos. No mercadinho da frente, gastamos as moedas que restavam comprando Chokito e chicletes de uma marca diabo qualquer – tudo na esperança de tirar o gosto horrível que ficou.

Os quase trinta quilômetros restantes foram pedalados em forma de arrasto com um insistente vento soprando contra. Em algum momento choveu um tanto, embora tenhamos seguido mais lavado de suor do que da própria chuva. Chegamos em casa já passados das 14h e no fim, os tais setenta e tantos quilômetros em asfalto por rodovias de cenários repetitivos acabaram se apresentando de forma até bastante divertida - fazendo valer a teimosia em querer pedalar mesmo sem vontade. E assim se encerrou a nossa trinca de três! Três viagens de três dias que os dois perturbados de sempre (Marcelo e Rodrigo) completaram com o maior orgulho possível. Próxima meta já anotada na caderneta: arrastar os outros dois comparsas para a última mini viagem do ano. Desnecessário dizer que deu a lógica e sequer acertamos um mísero número na nossa infeliz jogatina, mas confesso que entrar na brincadeira e por algum instante imaginar a possibilidade de ter tanto dinheiro para sequer precisar trabalhar... foi divertido pacas!

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Comentários
Ter, 16 de dezembro de 2014
escrito por: Heil
Caros:

Ainda vou pedalar com vcs. um dia (claro, se me aceitarem) e aí vou descobrir com adquiriram este poder divino de multiplicar os pães, isto é, os reais. 50 mangos achado no primeiro dia e ainda voltaram com uns trocados para casa.

Abc
Qua, 31 de dezembro de 2014
escrito por: Eleonesio
Meus caros, para variar, o relato divertido e nos faz sentir pedalando junto e as fotos fantásticas. Forte abraço.
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