Qui, 25 de abril de 2013
A primeira parte da divertida pedalada de Páscoa
Escrito por: Rodrigo Martins
   

Recém havia terminado de socar as tralhas dentro do amarelento alforje quando os comparsas de viagem chegaram - antes até do horário combinado, pasmem. Noite serena e com toda a perspectiva de um belo e ensolarado dia pela frente, tal qual vinha sendo profetizado pelos bruxos do tempo durante toda a semana. À medida que íamos subindo a serra, a temperatura caía bruscamente e de dentro do carro esfregávamos o cocuruto inquietamente. Um pouco apreensivos ficamos, já que roupas para dias mais frios foi algo que ninguém do time juvenil lembrou-se de trazer. Viagem tranquila e divertida na movimentada 282 com o Sr. Mazolla ditando o tom das conversas. Não conhecíamos a estrada que liga Rancho Queimado à Anitápolis e foi um prazer conhecê-la motorizado - já que há pelo menos duas intrigantes subidas que me pareceram desnecessárias naquela hora da manhã. Eram oito em ponto quando começamos a descarregar o trem e o reloginho da praça marcava 16°, apesar de parecer um pouco mais.  Enquanto o guincho amigo voltava para o litoral, seguíamos o nosso rumo em direção contrária, agora respirando ares mais sulistas. A bem-vinda garoa causou surpresa já que nos preparamos mentalmente para lascar no forte sol recorrente das últimas páscoas. Uma ponte caída logo no início causou tontice no camarada GPS que só acalmou do susto quando tocamos as rodas das corajosas bicicletas na escabrosa pinguela.

Anitápolis é bem menor do que imaginávamos e segue o divertido padrão catarinense de praça, igreja e Banco do Brasil (ex-BESC) tudo centrado na mesma quadra. Sua população mal passa das três mil cabeças e imagino ser difícil encontrar algo diferente para se fazer por aqueles arredores. O nome da cidade é uma homenagem a Jedi máxima da República Juliana, a Anita Garibaldi – a tal “heroína dos dois mundos”. A cultura predominante da região é a nauseante cebola (Blergh!), que felizmente é cultivada na várzea, não muito perto de onde passamos - obrigado. Curiosamente, mais tarde conversando com meus pais a respeito desta viagem – descobri que as duas nobres criaturas que tiveram o desprazer de me criar, se conheceram em tal cidade - me deixando inclusive surpreso de ter nascido.

Pedalamos por cerca de vinte quilômetros pela úmida SC-108 e, em sincronia com a fome, chegamos a Santa Rosa de Lima por volta das 13h. Aproveitamos a aconchegante escadaria da caprichada igreja para se acomodar e enquanto observávamos a entediante calmaria local, saboreamos os inigualáveis quitutes da quitanda da Dona Vanderléia (excelência em pastéis!) que trouxemos na nossa invocada lancheira. Encontramos alguns ciclistas perdidos, conversamos com alguns comerciantes locais e tivemos um papo um pouco mais longo com o simpático vigário das cercanias. Com a benção dele, continuamos nossa jornada ciclística agora em direção a Rio Fortuna.

Retornando ao pedal após um agradável descanso, nos deparamos com um belo lampejo de asfalto suficiente apenas para alegrar os desavisados, já que as estações de subidas estavam apenas prestes a começar. A simpática garoa deu lugar agora a um insistente sol que mais parecia um raio laser mirando e fritando as nossas sofridas moleiras. Com preguiça de atravessar a rua para escovar os dentes no restaurante que havia em frente à igreja, acabei usando a água da minha caramanhola para tal feitio - o que mais a frente me deixou no vazio, me obrigando a mendigar bem-aventurados goles do precioso líquido com os amigos durante a nossa inserta ao meio do nada. Dia feliz para as três crianças que se divertiam com a estreia das novas filmadoras: as tão sonhadas GoPro! E entre aprender a mexer e encaixar os brinquedos nas posições mais psicodélicas possíveis - foi-se aí um bocado de tempo. Chegamos a Rio Fortuna já bem no final da tarde, apresentando bastante cansaço. Seguimos direto para a bodega de sempre, aquela mesma de outras viagens aonde é servida a tão preciosa Coca-Cola litro em garrafa de vidro. Fernando para não perder o hábito fez um inspirado lanche enquanto o restante do trio provocava a sede com alguns Elma Chips da vida.

Ainda faltava um pouco mais de duas dezenas de quilômetros até Braço do Norte, nosso destino final do dia. O planejado era seguir por dentro, serpenteando as belas estradinhas de chão da charmosa região, mas a penumbra rapidamente se estabelecia e estávamos deveras atrasados, além de cansados - obviamente. Sendo assim, optamos seguir pelo perigoso asfalto da SC-482 – abaixando a cabeça e acelerando o que podíamos. Na mente, somente a bela janta que nos esperava alguns momentos à frente na casa da Família Uliano. Estrada escura e sem acostamento e para variar – com muito vento contra. Assim penaram os pobres pseudo-ciclistas desanimados. Chegamos a Braço do Norte já por volta das 19h e com o Tio Aldo angustiado, pois a nossa demora atrasou um pouco o aguardado banquete. O ajeitar das coisas ficou para depois, tempo agora somente para tomar banho e sentar-se a mesa para estufar a pança dignamente. Não demorou muito para seguirmos passos em direção as estimáveis camas. Muita conversa jogada fora (para variar...) enquanto nos lambuzávamos com algum ovo de páscoa surrupiado de alguma criança menos feliz da imensa família – e, antes do escandaloso relógio bater os onze sinos da noite, todos já estavam bem acomodados e dormindo um belo e pesado sono.

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Comentários
Sex, 26 de abril de 2013
escrito por: Eleonesio Leitzke
Hehehe, bem vindos de volta com mais um divertido relato, meus ciclísticos camaradas.....Pelo jeito, dessa vez os cães não os perseguiram, até fizeram amizade com um...precisamos dar um jeito de fazer rolar um pedal conjunto. Bem, aguardamos o restante do relato.
P.s.: coisa feia, surrupiar um ovo de páscoa...hehehe.
Um forte abraco.
Sex, 26 de abril de 2013
escrito por: José Antonio Rodrigues
Essas fotos ficaram especialmente lindas. E os lugares então...! Bom enquadramento do assunto. Mais uma vez notei que suas estradas são bem lizinhas. Tive a impressão que voces dispõem de um carro de apoio! (a julgar por algumas fotos). Aqui no Litoral Norte do RS, as estradas são um pouco mais pedregosas. A paisagem é tipica litorãnea. Seguidamente, grupos de ciclistas vindos de vários municipios, passam por nossas estradas. Inclusive no inverno! Mais uma vez, parabéns!
Sáb, 27 de abril de 2013
escrito por: lucia saraiva
Maravilhosa viagem cicloturistica, babei, adoro Sta Catarina e região...
Sáb, 27 de abril de 2013
escrito por: Jedson Eleuterio
Como sempre belos relatos e as fotos estão ótimas. Aguardo novos relatos. Parabéns.
www.jedbike.blogspot.com.br
Dom, 28 de abril de 2013
escrito por: Waldson (Antigão cicloturista)
Bem-vindos mesmo! Já me preocupava essa pausa tão longa. Mas, como sói acontecer um novo pedal caprichado, com fotos lindas e um relato impecável. Já disse e volto a repetir: Vocês sabem como ninguém escolher estradas bucólicas para cicloviajar! Parabéns!
Dom, 28 de abril de 2013
escrito por: carlos antunes andrade
parabens belas fotos e belas paisagem ...
Dom, 28 de abril de 2013
escrito por: Roberto
Belas imagens, mas na ponte passar empurrando não vale, é pedalando rsss, faltou o pequeno vira-lata correr atrás de alguém, o resto foi perfeito. Foi uma pena não estar com os amigos nessa viagem de páscoa, mas na próxima vou estar.
Qua, 01 de maio de 2013
escrito por: Adair José Orth
Muito show,lindas imagens.
Parabéns!
Qui, 10 de outubro de 2013
escrito por: Priscila 'Guiga'
Eu não acredito. Fico apenas alguns meses longe do blog e, quando volto a ler, me deparo com uma bênção do vigário! Hahahaha! Vocês são demais!
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