Qua, 16 de junho de 2010
Conhecendo melhor nossa "Santa & Bela Catarina" – a 2ª viagem... 4 de 9: Segue reto toda vida...
Escrito por: Rodrigo Martins
   

No quarto dia começaram a aparecer as diferenças e o habitual sorriso matinal deu lugar a testas franzidas durante o café da manhã. Ninguém comentou nada, mas havia no ar um leve descontentamento entre a hora de acordar pela hora de sair. Uns preferem acordar mais tarde e sair correndo e outros preferem acordar mais cedo e fazer tudo na santa paz. Uns preferem o silêncio de manhã cedo, outros não param de falar... Uns comem bastante no café, outros empurram a comida goela abaixo. Uns levantam sorrindo, outros querem que o mundo exploda! Duas vezes!... Aos poucos as coisas voltam ao normal, cada um no seu devido tempo, logicamente. Depois do café, num clima não muito alegre, ajeitamos as coisas e passamos no supermercado. Em seguida reiniciamos nossa jornada.

DIA 4 - DE TURVO À PRAIA GRANDE PASSANDO POR ERMO (OUTRA VEZ) E JACINTO MACHADO...

Nesse momento, todos estavam alheios ao que acontecia pelo mundo afora desconsiderando qualquer coisa, apenas curtindo a inusitada pedalada. Mas na realidade que não nos pertencia no momento – era uma plena terça-feira. Dia útil, pessoas trabalhando... Não no nosso caso – felizmente!

Um momento raro de diplomacia desse grupo que pouco contato tem com noções de civilidade: Foto da prefeitura...

E um breve adeus a cidade de Turvo... Obrigado pelo “boa viagem”!

Uma ligeira passagem por Ermo (novamente) e seguimos rumo a Jacinto Machado...

Jacinto Machado já é um pouco maior, mas não muito. Algo em torno de 10 mil habitantes. Passamos super rápido, apenas paramos para pedir informação. Nós, reles plebeus, não acostumados à tecnologia – desconfiamos do GPS. Sim, era tudo que o Roberto queria! - Eu falei! Eu falei...

Quando o pedal é divertido, a conversa tende a se estender noite adentro... Naturalmente o bom papo em detrimento as poucas horas de sono influenciam as pessoas de forma diferente. Rodrigo acordou azedo, com ódio no seu bom coração e um olhar assustadoramente maligno. Pedalou por um bom tempo mentalizando um antigo trava-línguas do tempo de criança: “Vaca amarela cagou na panela. Quem falar primeiro come toda a merda dela...”. Felizmente todos o deixaram em paz num eloqüente silêncio, respeitando seu infortúnio pela escassez de sono. Tudo ao seu tempo e lá perto das 11h ele recuperou o dom da fala e até sorriu e não desejou mais que Majin boo destruísse a terra novamente... A harmonia do grupo estava restabelecida.

Na saída de Jacinto Machado ficamos confusos. No mapa do GPS, as linhas das estradas não apareciam claramente, pelo menos não na minha visão limitada. A estrada que deveríamos supostamente tomar não aparecia. Sem termos a visão além do alcance fomos meio no uni-dune-tê e acabamos aparentemente escolhendo o caminho errado. Nenhuma surpresa em se tratando de nós mesmos. Pouco mais adiante, uma boa alma camponesa, estilo Mestre dos Magos - nos indicou outro caminho alternativo, algo parecido com um atalho. Uma estrada paralela que contornava o único morro da região. Gostou? Erramos o caminho e nem morro subimos... Como sempre, a sorte nos acompanhando...

Nesse dia o sol deu uma trégua. O trajeto era mais curto se comparado aos outros dias e como não fez tanto calor, acabou sendo o mais tranqüilo dos nove dias de pedalada.

Pedalamos por uma interminável reta para chegar a Praia Grande. A expressão “segue reto toda vida” provavelmente teve origem nos arredores, difundida por algum Chefe Apache da região.

Chegamos cedo em Praia Grande. Não foi coincidência – planejamos isso. A idéia nesse dia era pedalar menos e chegar mais cedo na intenção de conhecer os famosos cânions da região. Algumas horas para subir, outras tantas para conhecer e admirar o lugar e mais o tempo necessário para descer... O que precisa? Um dia inteiro disponível! Que logicamente não tínhamos... As poucas horas de sobra que conseguimos pedalando um trecho menor eram insuficientes para conhecer o local. Todos entenderam isso, menos – adivinhe quem? Percebemos agora que o Roberto gosta das coisas meio a à volonté, sem se importar muito com o que foi previamente planejado. Depois de um tempo, com muita dificuldade, conseguimos convencer a criança que não dá para conhecer os cânions de maneira satisfatória em duas horas (a não ser que ele imaginasse e materializasse um helicóptero...). Precisa no mínimo de doze horas e olhe lá... Um estranho silêncio parou por seus nebulosos pensamentos, o que nos causou alguma apreensão, por que sabíamos que ele estava matutando algo que parecia não ser bom. Não demorou muito, e ele veio com essa: - Já sei! Vamos ficar aqui amanhã! Amanhã cara! Amanhã conheceremos os cânions!... Insistiu para ficarmos mais um dia e conhecermos o local. A empolgação dele é bacana, mas não é tão simples assim mexer no planejamento e optamos por manter o cronograma. Sim, a frustração foi grande e continuamos ouvindo a ladainha do Roberto por horas e horas. Ninguém retrucou. Em algum momento ele iria cansar. Praia Grande é bem menor do que imaginávamos. De noite – praticamente nada para se fazer e inclusive é difícil até encontrar um local aberto para comer. O hotel era razoável, nada de especial. Jogamos muita conversa fora no decorrer da noite. Em algum momento, enquanto estávamos no quarto do Príncipe Robertinho papeando, escutamos passos sorrateiros (de alguém supostamente mal intencionado) com práticas saltitantes... Hummm, deve ser o Fernando - pensamos. Rodrigo, num momento único de sabedoria – se esconde no corredor bruxuleante, se antecipa aos passos do Fernando e no momento certo – dá o bote! Um kiai digno do Liu Kang e uma simulação de chute na barriga melhor que o do moribundo Chuck Norris. Perfeito para assustar alguém... Ops! Não era o Fernando... Seu Sérgio, proprietário do hotel, um senhor já de idade – gente finíssima, que perambulava no local errado e na hora errada. Arregalou os olhos, dobrou os joelhos, começou a ofegar e falar – Ai, meu coração!... Putz, Rodrigo conseguiu fazer o velho enfartar!... Não se preocupem – ele sobreviveu e até deu boas risadas disso depois. Nós? Sim – rimos a noite toda. Dormimos muito bem por sinal. Aparentemente passou um twister de madrugada que chacoalhou a cidade e nenhum de nós (a gente... não a banda!) viu.

Quarta etapa cumprida com um cansaço moderado e frustrados por não conhecermos os cânions.

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Comentários
Sex, 18 de junho de 2010
escrito por: Waldson (Antigão)
Pôxa, não ter uma certa maleabilidade no cronograma ás vezes deixa a gente triste, né. Até eu, aqui de camarote, queria ver os Cânions!
Nossa, assustar o Seu Sérgio foi perigoso demais! E se dá um treco nele?! Mas... cá entre nós, que foi engraçado foi!

Achei interessante o Jacinto Machado ao passar por esse lugar Ermo ficar com o olhar Turvo. (engraçadinho, né?!).

Tá muito empolgante esse passeio... vamos esperar o próximo dia.

Grande abraço!
Sex, 25 de junho de 2010
escrito por: Douglas
Pois é, concordo com o Waldson acima e também mudaria o cronograma para incluir os cânions! Um cronograma mole é mais gostoso (Hmm)
Qua, 07 de julho de 2010
escrito por: Elton
Dia tranquilo é assim...queremos mudar o cronograma porque "está sobrando" tempo hehehe...
abraços
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