Sex, 15 de julho de 2011
Conhecendo melhor nossa "Santa & Bela Catarina" – a 3ª viagem... 7 de 9: protejam-se amigos! Um Twister vem chegando...
Escrito por: Rodrigo Martins
   

Desorientado, desci para o café sem ao menos ter certeza se era isso mesmo que eu deveria fazer. Que horas seriam? De escada ou elevador? Sei lá... nem sabia em que andar eu estava. Fazendo o óbvio e seguindo as placas, porém sem muita convicção, alguns instantes mais adiante encontrei o Fernando (aparentemente tão perdido quanto eu), com uma cara indecifrável. – Cara, tu não vai acreditar no que teu amigo Marcelo fez! – Falou entusiasmado com muita vontade de rir, mas também visivelmente constrangido. – Não sei o que é, mas acredito! Claro que acredito... Respondi, já imaginando o pior. Fernando ainda não se acostumou com o costumeiro delírio madrugador do nosso amigo Marcelo e ainda consegue se surpreender. Aparentemente, tentaram nos servir o mais mesquinho dos cafés da manhã. Pensaram, talvez, que... pela nossa cara de sono (aliado ao fato de sermos os únicos hóspedes do hotel), um cafezinho mixuruca passaria despercebido... Pela performance pantomímica do Fernando, imitando o diálogo exaltado do Marcelo, consegui imaginar bem o vexame justificado. Eu estava com sono demais para fingir algum tipo de preocupação com isso, e para o momento, o máximo que pude fazer foi rir bastante. Fernando comentou que após o incidente, o café da manhã melhorou uns 300%! E, se mesmo assim ainda o achei horroroso... nem quero imaginar como foi a versão beta do embuste café. Roberto desceu com um aspecto horrendo e a cara feia que fez ao avistar o fraudulento desjejum foi hilária. Sem delongas, comemos o que tinha e durante o dissabor - dávamos gargalhadas da testa enrugada do Marcelo que ainda estava inconformado com a situação. Mais um pouco e aquele semblante franzido se tornaria permanente... Não muito satisfeitos, encerramos o divertido café e subimos até o terraço a fim de avistarmos melhor o belo balneário.

Cidade pequena (algo em torno de sete mil habitantes), a simpática população nativa do pacato balneário Barra do Sul é basicamente descendente de portugueses e Indígenas. Tem sua economia baseada - quase que exclusivamente - na pesca e no turismo. Uma típica vila de pescadores que só passou a se desenvolver efetivamente quando se emancipou de Araquari em meados de 1992. Saímos do hotel por volta das 10h15 num forte e agradável sol. Seguimos direto para o pequeno comércio local, buscando uma dessas lojinhas de “tem de tudo”. Compramos pincel e querosene. Encostamos as bicicletas num lava car qualquer (de um proprietário muito mal-educado que parece gostar de incorporar o Smurf Ranzinza...) e fizemos a devida limpeza naquilo que no momento chamávamos de corrente. Terminada a operação limpeza e impressionados com o efeito mágico da purificação dos elos, num momento de demência coletiva, fomos sujar as bikes (novamente...) na areia da praia.

DIA 7 – DE BALNEÁRIO BARRA DO SUL (RETORNANDO) À MASSARANDUBA, PASSANDO POR ARAQUARI, FUGINDO DA ESTRADA DE CHÃO E ESCAPANDO DE UM PEQUENO TWISTER...

Das cidades que passamos, balneário Barra do Sul foi a que tivemos a melhor recepção. Povo extremamente simpático e hospitaleiro. Num acolhedor “tchau! Boa viagem e voltem sempre...” proferido por vários alegres moradores enquanto cruzávamos a cidade tentando encontrar a saída, nos despedimos do agradável lugarejo... Num exagerado calor, seguimos adiante pela extensa Rua das Salinas, margeando a Barra do Itapocu, já em território araquariense.

Quase 25 km à frente, reencontramos a saudosa BR-101. Bufávamos quando resolvemos parar no primeiro posto de aspecto mais agradável. Necessitávamos urgente de descanso e um pouco de sombra, pois o forte sol das 14h castigava bastante. Aproveitamos e fizemos aquele lanche com complexo de almoço. Pastel e petiscos afins. Até nem acho que era feito com carne de minhoca (como reza a lenda urbana da região), mas tive a impressão de ele ter se mexido. Melhor mesmo é não olhar. Afinal de contas, com a fome que estávamos... o pastel estava deveras delicioso.

Estômago reabastecido e com as pernas descansadas, aproveitamos que o sol deu uma breve trégua para seguirmos nosso rumo. Longe do Roberto, fizemos uma reunião secreta. Havia duas opções de caminho até o próximo destino: a original – que consistia seguir caminho novamente por uma eterna estradinha de chão; ou o plano B... a convidativa idéia de seguir até Massaranduba pelo belo asfalto da SC-474. Após tanto trabalho para limpar as engrenagens das bicicletas no início da manhã, e já um pouco de saco cheio de tanto chão batido - resolvemos poupá-las da “lambuzenta” estrada que estava por vir e unanimemente optamos pelo asfalto. Já antecipando a maior ladainha por parte de nosso amigo resmungão, por bem resolvemos omitir dele essa repentina mudança de planos. Fingimos um momento “lost” e utilizando a psicologia reversa, ainda o fizemos acreditar que a idéia de seguir pela SC foi dele. Num momento raro de sabedoria, conseguimos assim – manter a harmonia do grupo até o final do dia, pelo menos...

O “dia perfeito” nos pregou uma peça. Repentinamente tudo escureceu e se estivéssemos em 2012 – saberíamos que era o fim dos tempos. Um assustador semi-twister assolou a região.

Um bem-aventurado ponto de ônibus foi a nossa salvação. Esprememos-nos de forma pouco confortável no malcheiroso local e apreensivos, aguardamos na casamata a tormenta passar... Apavorados, passávamos o tempo ouvindo no radinho os clássicos do Toy Dolls.

No odor característico do “cheirinho de chuva”, apenas meia hora depois - já estávamos pedalando num prazenteiro sol de fim de tarde. Nesse ponto, diminuímos bastante o ritmo, pois Roberto reclamava de fortes dores no joelho. Marcelo ligou o turbo e acelerou até Massaranduba, pois queria chegar antes das 18h a fim de ainda conseguir trocar o tortuoso pneu.

Bastante tempo depois, por volta das 18h10 reencontramos nosso amigo – um tanto desolado -, na frente da bicicletaria. – Não tinha o pneu? Perguntamos curiosos. Respondeu que sim, sem muito entusiasmo. O que foi suficiente para entendermos. Muito provavelmente não chegaram a um acordo entre o preço de venda e o quanto nosso amigo Tio Patinhas estava disposto a pagar. Mais tarde, com uma boa conversa resolveríamos isso. Afinal de contas, tínhamos um bom patrocínio.

Sentados descontraidamente no banquinho da praça, em frente à prefeitura – restabelecendo as forças antes de entrar no simplório hotel, recebemos um inusitado convite: participar de uma sessão solene (ou algo parecido...) na câmara de vereadores do município. Pegos de surpresa - ficamos sem saber o que responder e seguimos para o hotel achando graça do incomum convite. Aqui, a psicologia reversa falhou e ninguém conseguiu convencer ninguém a prestigiar a reunião. Por fim, num impulso movido por curiosidade, enquanto os outros dois comparsas tomavam banho (cada um em seu respectivo quarto, é sempre bom salientar...) - Fernando e Rodrigo vão a tal sessão, uns 300 passos distante do hotel. Vestidos a caráter (roupa de pseudo-ciclistas bem sujas!), nos tornamos as figurinhas do momento entre a casta política de Massaranduba. Muito bem recebidos, trocamos boas conversas e fomos servidos de um belo café. Demonstraram muito contentamento por termos incluído a tão querida cidade no nosso peculiar roteiro. Cansados, assistimos apenas ao inicio da sessão. Como não temos nenhuma vocação política, aquilo tudo era algo extremamente chato para nós. Educadamente nos despedimos e seguimos para o hotel. Jantamos na lanchonete anexa e subimos cedo para os quartos. Lembro de ter adormecido (consideravelmente cansado, apesar de ter sido um dia bem mais tranqüilo...) assistindo Homem de Ferro na pequena televisão... “Só mais dois dias!”, garanto que todos pensaram instantes antes de cair num pesado e rejuvenescedor sono.

Antepenúltima etapa cumprida, num tranqüilo e quase perfeito dia (apesar de termos sido atacados por um tornado), com o Roberto bem mais calmo e... Rodrigo e Fernando fingindo interesse político para finalizar (de forma engraçada) o dia.

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Comentários
Seg, 18 de julho de 2011
escrito por: Jedson Eleuterio
Parabéns galera, quase lá ein... aproveitando o gosto político dos dois, poderiam reivindicar mais ciclovias nas cidades. Abraços.
www.jedbike.blogspot.com
Ter, 19 de julho de 2011
escrito por: Waldson
Nossa! Após um café da manhã deprimente, quando li "Compramos querosene..." pensei: Vão por fogo no hotel! Ah, mas era apenas para limpar as correntes das bikes. Ufa, que susto!
Essa "enrolada" no Roberto, fazendo-o crer o autor do caminho foi ótima!
Em compensação, enfrentar um Twister dá medo! Ainda bem que o "Bus Stop" estava lá para salvá-los da tormenta.
Rapazes, parabéns por mais esse dia de pedal tão calmo e glamoroso, encerrado com sessão solente na Câmara Municipal.

Abraços do Antigão.
Sex, 22 de julho de 2011
escrito por: Eli
Que a força esteja com vocês ... Boa pedalada falta pouco , para achar um pneu .
Seg, 05 de setembro de 2011
escrito por: Antônio Azevedo
Cada vez melhor os relatos e as fotos desse grupo.

Já pensaram em editar um livro, com textos e fotos intercalados?

Parabéns!

Tuquinha - Biguaçu
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