Seg, 30 de abril de 2012
Conhecendo melhor nossa “Santa & Bela Catarina” – a 4ª viagem... 2 de 9: cruzando o nosso formoso Vale Europeu
Escrito por: Rodrigo Martins
   

O sono era tanto que o decepcionante café da manhã pareceu nem ter gosto. Dos mais chinfrins que já nos foi servido, embora algo mais caprichado não teria feito diferença alguma. Sequer lembro o que tinha para ser ingerido e penso que teria sido muito mais proveitoso se eu tivesse permanecido no quarto dormindo por alguns preciosos minutos a mais. Tivemos uma ótima noite de sono, ainda que, mais curta do que gostaríamos. Até fez calor na silenciosa madrugada de Massaranduba, a exceção do aposento ártico em que dormimos. Alguém esbanjando sabedoria deixou o ar-condicionado ligado no modo “super-iglu” e beiramos o congelamento. Muito cansado e num quarto absurdamente escuro, o jeito foi ignorar a existência do controle remoto e se enrolar no edredom o máximo possível. Após o desjejum, Roberto demorou um pouco mais para sair do hotel e enquanto a criatura não aparecia, tentávamos entender a birra do nosso GPS por essa região. Com ladainha semelhante ao ano anterior, o desvairado brinquedo deixou de funcionar - nos deixando temporariamente às cegas. Aflitos logo cedo, custamos para aprumar nosso rumo e pelo menos de início, seguimos um pouco inseguros quanto à certeza de se estar pedalando pelo caminho correto.

Cruzamos o minguado trecho final da “Capital Catarinense do Arroz” com as ruas praticamente desertas. Ao alvorecer de um nublado domingo, numa temperatura bastante agradável, continuamos nossa divertida jornada ciclística seguindo em frente pela SC-474. Pedalamos por alguns poucos quilômetros num asfalto liso até entrarmos numa bela estradinha de chão, cruzando um pequeno vilarejo chamado Treze de Maio.

DIA 2) DE MASSARANDUBA À TIMBÓ – PASSANDO POR BLUMENAU (PORÇÃO RURAL), POMERODE E RIO DOS CEDROS...

Seguimos avante com a nossa aventura pedalando por uma sequência de vários trechos por diversas estradinhas rurais - ora quebrando para direita, ora quebrando para esquerda. Foram tantas bifurcações que se não fosse o até então malfado aparelho de GPS, jamais teríamos encontrado a saída do labirinto.

Rodamos pelo emaranhado de estradas por cerca de 30 km. Vagamos pela periferia de Blumenau até chegarmos à simpática Pomerode, um pouco depois do meio-dia. Otimistas em relação aonde poderíamos almoçar, passamos por vários restaurantes até que a cidade acabou e não paramos em nenhum. Voltamos um pequeno trecho por uma rua diferente e nos deparamos com algo no mínimo inusitado. Muita gente caminhando na rua e todos muito bem vestidos. Onde diabos essa elegante multidão estaria indo? – indagamos de forma curiosa e acabamos tendo a pior resposta possível para o momento... Estavam todos indo almoçar. Com os restaurantes praticamente lotados (inclusive com filas de espera) e sem a menor vontade de voltar um considerável trecho pedalando - buscando algum recanto mais calmo -, tentamos a sorte seguindo em frente. Nesse ponto do pedal já estávamos atrasados e infelizmente tivemos que passar muito rapidamente pela bela cidade. Pomerode é conhecida como “a cidade mais alemã do Brasil”. Possui um dos zoológicos mais antigos do país (inaugurado em 1932) e uma conceituada cervejaria artesanal muito conhecida aqui em Santa Catarina – a Schornstein (ein Prosit!). Nas ruas, raramente se ouve a língua portuguesa, sendo mais comum o uso do idioma e dialetos germânicos. Agregando isso a toda arquitetura típica da região, com suas belas casas e seus jardins impecáveis - a sensação que temos é de se estar fora das terras tupiniquins, pedalando em outro país muito mais civilizado, habitado por um povo demasiadamente educado aonde não se vê um único papel de lixo jogado ao chão. Por fim, acabamos comendo um monte de porcaria numa lojinha de conveniência de um posto de gasolina qualquer - consolados com o fato de pelo menos não ter passado fome.

Deixando Pomerode para trás, continuamos nossa brincadeira por outro pequeno trecho de asfalto até entrarmos em também outra bela estradinha de chão. Desta vez, para o nosso infortúnio, sempre morro acima. Uma longa e exagerada subida que nos tomou muito tempo e consumiu quase toda a nossa energia. Essa região é bastante conhecida por quem faz cicloturismo. O Morro Azul faz parte do “Circuito Vale Europeu” (que um dia ainda faremos...) e apesar das dificuldades que tivemos para subir, a longa e emocionante descida compensou todo o esforço anterior, ficando marcada como um dos pontos mais bacanas desta nossa ciclo-viagem.

Timbó - o nosso destino final -, era logo ali à frente se seguíssemos para a esquerda, porém demos um grande balão pelo outro lado para podermos conhecer a pequena cidade de Rio dos Cedros. Depois de uma bela parada para respirar e admirarmos a beleza local (entenda desta forma: muitas mulheres lindas, loiras e de olhos claros perambulando ao acaso), seguimos por mais 8 km em uma longa reta para finalmente encerrarmos o extenuante dia, já com os faróis das bicicletas ligados.

O hotel que ficamos era peculiarmente horroroso. O ser humano que nos recepcionou sequer sabia o que estava fazendo e quando algo estava ao seu alcance fazia tudo na maior má vontade possível. Fomos jogados no pior quarto daquela pocilga. O ar-condicionado não funcionava e quando coloquei o carregador da máquina fotográfica na tomada, esta explodiu!, fazendo faltar energia elétrica em todo o nosso andar. Para nossa felicidade, nesse meio tempo, o esquisito cidadão foi substituído por uma moça muito simpática que entre outras coisas nos transferiu para um quarto bem melhor. Os bizarros corredores desse hotel infernal eram impregnados com o horrível cheiro de cigarro. Parecia que mil pessoas fumaram ao mesmo tempo num local que só cabem trinta. Se o inferno tem cheiro, imagino ser algo muito parecido com isso. Tomamos banho e saímos o quanto antes para jantar. Estávamos no centro da cidade, perto de tudo e não foi difícil encontrar um bom local para comer. No quarto, nem ligamos a TV. Sabe-se lá o que poderia acontecer...

Segunda etapa concluída, mais cansados que no dia anterior, embora plenamente satisfeitos pelo extraordinário dia em cima das bicicletas. 

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Comentários
Seg, 30 de abril de 2012
escrito por: RODRIGO
BOM DIA AMIGOS LINDAS FOTOS VC ESTÃO DE PARABÉNS QUERO FAZER UMA PERGUNTA AS SUBIDAS VCS SOBEM TODAS PEDALANDO OU NÃO.
Seg, 30 de abril de 2012
escrito por: Elton Xamã
hola, tchê!
buenas?
estive reparando nas 'chapas' e me lembrei como é diferente curtir a paisagem quando se pedala. Já passei dirigindo carro algumas vezes em regiões sabidamente bonitas, mas que só percebemos a verdadeira beleza quando pedalamos, sem pressa, curtindo o passeio. E isso percebe-se claramente nesses lugares que vcs passaram no segundo dia.
parabéns e abraços do
Elton Xamã - Pantanal MS
Seg, 30 de abril de 2012
escrito por: Fabrício Leite (LEITE BIKE)
kkkkkkkkkkkkk, axei um barato esse post d vcs:
O hotel que ficamos era peculiarmente horroroso
Quando eu e o Doug fomos p RS d bike em 2005, no quarto dia d pedal pegamos uma pousada HORRIPILANTE toda d madeira com cupim em cima da cama. Tava tão quente q se abrisse a janela os pernilongos (tamanho d uma mosca kk) matavam a gente, e as janelas fechadas (sem ventilador) era uma sauna... RESUMINDO: 4:00 da manhã vazamos hehehe
Seg, 30 de abril de 2012
escrito por: cezar
Já pensaram em ir de moto??

Heresia!! Eu sei, eu sei...mas porque não

pensar no assunto. hhahahah
Seg, 30 de abril de 2012
escrito por: Carlão Ribeiro - Pedalada da Noite de Salvador-Ba
Parabens Rodrigão pela belíssima aventura. Há dois anos atrás nós do Pedalada da Noite fizemos o Vale dos Vinhedos no RS, e possivelmente agora em 2013 temos planos para visitarmos o Vale Europeu. Adorei suas fotos. Continuem amigos. Pedalar é Saúde.Visitem nosso Site. www.pedaladadanoite.com.br. Um forte abraço a todos.
Seg, 30 de abril de 2012
escrito por: Waldson (Antigão)
Um belíssimo segundo dia! Exceto algum estômago roncando nenhum grande imprevisto para quebrar a beleza do passeio. Belíssimas fotos! Como da primeira vez, fui seguindo (mais ou menos) a caminho de vocês, de cidade em cidade, pelo Google Maps.
É triste quando pagamos para sermos mal tratados por comerciantes que acham que os clientes os atrapalham! Parece até que o hotel sobreviverá sem hóspedes para incomodá-los!

Show de pedal, parabéns!
Ter, 01 de maio de 2012
escrito por: Juan Pablo Borges
Olá caros Ciclistas,

Nem consigo imaginar o quão exaustivo possa ser pedalar por tanto tempo e em estradas irregulares infestadas de morros horrorosos, mas para a minha surpresa (e de muitos outros), os elogios com relação e essa etapa da viagem superaram as crísticas com relação ao caminho e a conflitos internos... o// Já li sobre suas viagens e ouvi muito da boca do próprio Rodrigo, e aqui me parece que este trecho foi incrível para todos! Continuem assim ;)
Ter, 01 de maio de 2012
escrito por: Adair José Orth
OLÁ PESSOAL! D+ as fotos,e esse visual então é sem palavras! PARABÉNS PELA VIAGEM!
Ter, 01 de maio de 2012
escrito por: gilberto nunes
muito legal. passeio reconfortante e nos dá um conhecimento de nosso país. é saúde. parabéns ao grupo. vamos divulgar esse meio de esporte saudável e de viver bem. abraços ao grupo.
Ter, 01 de maio de 2012
escrito por: Moca
Belo passeio, não é porque moro em timbó mas tem muitos locais para pedalar por essas bandas, quando estiverem de novo em Pomerode vocês podem procurar o restaurante da Malwee, onde é servido um almoço muito bom com um preço justo, onde é possivel comer o famoso joelho de porco (eseinbhein). Se soubesse que vocês estariam por essas bandas poderiamos ter marcado um jantar em Timbó, bem abcs e boas pedaladas...
Qua, 02 de maio de 2012
escrito por: leilasantos
GOSTEI muito do PROJETO,e quem sabe um dia vou dar essas PEDALADAS p/REGIÃO de voces.A REGIÃO é muito bonita..Abraços///Leila Santos.
Qua, 02 de maio de 2012
escrito por: jose carlos
Muito bonito as paisagens e parabens a todos pela aventura,
Qua, 02 de maio de 2012
escrito por: Deva Saravalli
Belas fotos. Boas pedaladas.
Qui, 03 de maio de 2012
escrito por: Priscila 'Guiga'
HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAH
Primeiro: a foto com as ovelhinhas ao fundo é hilária, de tão bucólica. Adorei!
Segundo: descida em estrada de chão? :O Eu tenho traumas com isso... Eu, não - a bicicleta, sim.
Terceiro: este último parágrafo de vocês superou qualquer outra descrição de pernoite que vocês já tenham feito. Francamente... Ligar o carregador da máquina e causar um apagão no andar do prédio é coisa de filme. Vocês podiam filmar uns trechos dessa viagem e fazer um curta... ahhahahahahha
Abrazos!!
Ter, 08 de maio de 2012
escrito por: Fabiano Costa
Coloquem as fotos do banho de cachoeira com as ovelhas no qual se simpatizaram... só as que forem próprias para visualização né... e coloquem tarja preta no que for preciso!!!
Qua, 23 de maio de 2012
escrito por: susi saito
Olha só, já tinha até lido, pois muitas vezes, abro os e-mails no celular e quando vejo nova postagem de vcs, já corro a ler! Mas não comentei... Justo este hilario capitulo? Ahhhh... Sabe-se lá o que pode acontece fechou o dia! Vai que...

Adorei a leitura! Imagino se fosse a pedalada!
Abç ao grupo!
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