Dom, 09 de março de 2014
Conhecendo melhor nossa “Santa & Bela Catarina” – a 5ª viagem... 4 de 7: finalmente descendo mais do que subindo...
Escrito por: Rodrigo Martins
   

Dormíamos no melhor estilo “acho que morri” quando o desorientado do Marcelo bate indelicadamente na nossa porta exatamente as 7h33 de uma morosa manhã e grita para quem justamente não quer ouvir: – café só até as 8h! Refleti (quase que deprimido) se realmente valeria a pena abandonar a tão bela cama assim precocemente, mas como eu precisava levantar de qualquer maneira para verificar se o meu dedo ainda pertencia ao conjunto da mão – resolvi acompanhar o Fernando no sonolento comboio até a cozinha. Roberto já estava sentado à mesa tentando acordar e ter consciência do que estava ingerindo, enquanto Marcelo se encaminhava para a segunda rodada. Café pra lá de minguado, o que gerou um certo arrependimento por ter levantado e desperdiçado no mínimo preciosos trinta minutos a mais de sono. O desânimo era geral e todos com muito aspecto de infaustos zumbis. Poucas palavras ditas e muitas testas enrugadas ilustravam o cansaço acumulado. De tanto que os nativos praguejaram, decidimos alterar sutilmente o trajeto original e surrupiamos um indigesto mega-morro que estava por vir. No quarto, arrumávamos as tralhas ao som alucinado de The Toy Dolls enquanto a vitamina C vagarosamente efervescia no copo. Deixamos o alojamento da EPAGRI ainda cedo e iniciamos o quarto dia da nossa jornada por terras serranas num ritmo bem pausado, sem pressa alguma e com uma morreba a menos para ser vencida.

DIA 4) DE CAMPOS NOVOS À JOAÇABA – PASSANDO POR ERVAL VELHO e HERVAL D’OESTE...

O acostamento da 282 era largo, liso e sem buracos – fazendo as bicicletas deslizarem como nunca nessa viagem. Nesse ponto da inusitada jornada estávamos distantes quase quatro centenas de quilômetros da saudosa Florianópolis e nos aproximando cada vez mais do longe pra caramba. Muitos simpatizantes com a demente causa de pedalar apenas por pedalar nos acenavam e vez ou outra davam aquela simpática buzinada. Não ventava e a temperatura era bastante agradável. Sofremos um tanto com uma longa subida que parecia não ter fim. Na nossa marginal direita, espiávamos ao longe a silhueta do que deveríamos ter escalado e demos de ombro sem remorso algum, pois se já estávamos sendo afligidos no esbelto asfalto, melhor nem pensar o que estaria acontecendo lá no barrento chão da selva, caso tivéssemos arriscado se aventurar na lendária ladeira arriba.

Antes de começar a descer horrores, paramos para tomar um gélido caldo de cana e proseamos um bocado com o dono da bodega. Um senhor simpático, deveras germânico e que muito impressionado ficou quando olhou para o hodômetro da bicicleta do Marcelo: – ô! Andô mais que meu “caro”! Já em Erval Velho, paramos para almoçar por volta do meio-dia (algo raro) no muito bem recomendado restaurante do Gringo. Comemos bem e ainda sobrou tempo para descansar e saborear um tradicional Chicabon. As bicicletas estacionadas bem na porta do restaurante eram uma atração à parte, despertando a curiosidade de quem transitava por lá. Várias divertidas conversas se seguiram até que resolvemos voltar à faina e seguir com o pedal. Joaçaba era logo mais a frente e motivados pela costumeira preguiça pós-almoço, cogitamos seriamente seguir reto, mas apesar do cansaço, o espírito aventureiro prevaleceu e mantivemos o traçado original - fugindo da BR para dar um longo balão na graciosa cercania rural de Herval d’Oeste. Acompanhados pela curta sombra, subimos mais um tanto, embora no geral tenhamos descido muito mais. Certamente, umas das estradas mais bacanas pela qual já pedalamos.

Chegamos em Joaçaba anoitecendo, já com os faróis ligados e menos cansados que nos dias anteriores. A cidade parece ser bonita, embora um pouco estranha para quem chegasse pedalando ao anoitecer. Cometemos o erro de reservar um hotel que ficava no outro extremo da cidade e tivemos que cruzar todo o trânsito complicado da região bem na maldita hora do rush. A cidade parece estar localizada num gigantesco buraco, e o tanto que descemos, tivemos que subir. Ruas estreitas e muitos carros passando desconfortavelmente em alta velocidade perto demais das nossas orelhas. Foi uma chegada tensa que incomodou um bocado, pois desafinou completamente da calmaria dos dias anteriores. Se somado com as cidades “irmãs” - Herval d’Oeste e Luzerna –, a população do entorno de Joaçaba gira em torno das 55 mil cabeças, fazendo-nos sentir saudade do silêncio de outrora. Roberto lamuriava aos montes afirmando que o hotel era uma pocilga, desanimando o grupelho que ansiava por uma boa cama e em nada ajudando a superar o recorrente drama de não parar mais de subir. Ao nos depararmos com o super-bacana-hotel, fitamos seriamente o Roberto que desconversou sobre o assunto, rindo apenas com o canto da boca. Elevador, quarto grande com frigobar, TV de LCD e o melhor chuveiro desta viagem – não tínhamos do que reclamar. Para jantar, foi só atravessar a rua e se servir. Comida boa e barata, estilo pedreiro bem ao nosso gosto - com arroz, feijão e ovo frito de entrada. De barriga cheia e com muitas ideias para trocar, o sono demorou a chegar e o último chato parou de falar somente após a meia-noite.

Quarta etapa concluída num dia em que gazeteamos uma ladeira logo no início e no geral descemos bem mais do que subimos. Cruzamos uma estrada muito bacana na região rural de Herval d’Oeste e que passou a ser uma de nossas preferidas. Joaçaba possui um inferno de trânsito que tivemos que penar aos montes para cruzar toda a cidade. Barulho demais para quem busca paz nessas cicloviagens!

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Comentários
Seg, 10 de março de 2014
escrito por: Eleonesio Diomar Leitzke
Novamente um divertido e informativo relato, assim como as fotos, pelo jeito o acostamento do percurso está muito bom. Aguardamos o próximo dia....Abração.
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