Dom, 31 de agosto de 2014
Dia dois da trinca de Páscoa: Braço do Norte/Imaruí
Escrito por: Rodrigo Martins
   

Acordei num pulo com o escandaloso despertador que começou a apitar desordenadamente do nada, no auge da madrugada bem antes do galo despertar. Eram 5h de uma escura e silenciosa noite interiorana e levei algum tempo para entender que diabos estava acontecendo. Tentei parar com a algazarra usando o velho truque Jedi, mas sem sucesso, tive que sair da cama e dar uns bons tapas no brinquedo e o enterrei na gaveta mais próxima da cômoda ao lado até que ele se calasse para sempre. Segui me arrastando até a cozinha para tomar um pouco de água gelada e aproveitei para ir ao banheiro bicando tênis e chinelos que ficaram jogados pelo caminho. Com os olhos entreabertos, quase dei de cara no chão algumas vezes, sendo que nesse infeliz meio tempo acabei perdendo o sono completamente. Sem ter o que fazer e jogado na cama outra vez, franzi a testa irritado enquanto encarava o teto escuro pensando nos dramas atuais enquanto tentava pegar no sono novamente. Tinha consciência que tão logo mais o Marcelo viria me acordar com aquela síndrome de madrugador dele e eu sabia muito bem que essas horas de sono a menos fariam falta no decorrer do dia. Custei a dormir novamente e justamente quando consegui, o triste me acordou. Levantei assustado achando que havia passado do horário, mas longe disso. Eram 7h15 e minha Tia sequer havia chegado para nos preparar o café. Improvisamos com uma Framboesa Água da Serra e um cavaquinho murcho. Enrolamos um bocado, me fazendo crer que poderia ter dormido muito mais além, sendo que caímos na estrada somente um pouco após as 9h. Uma breve despedida sem choramingo na parentada em questão e seguimos pedal rumo à Rio Fortuna. Para aqueles lados tivemos que seguir por uma estradinha modorrenta, com asfalto ruim e bastante esburacado. Naquele trecho não há acostamento e os carros passam muito rápido e desagradavelmente perto demais das nossas orelhas. Além do que, não importa a direção que você siga por aquelas bandas, o vento sempre vai soprar contra. Seguimos em silêncio, concentrados em vencer o forte calor e a ventania xarope. Logo paramos num super para nos prover do necessário e a latinha de Pepsi bem gelada quase me fez lacrimejar de felicidade. Por volta das 11h e pouco de manhã, quando o vento, o asfalto e os irritantes automóveis ficaram para trás - a parte divertida do pedal finalmente começou.

Encontramos tudo fechado pelo ermo caminho, parando apenas para almoçar já passados do meio dia com o sol quase a pino, numa localidade chamada de Rio Gabiroba. Tínhamos feito uma simplória marmita com sobras do café e precisamos comprar apenas o refrigerante. Prudência conveniente, já que no posto só vendia Coca e Elma Chips. O frentista do posto, um engraçado rapazola porquinho à beça, começou um festival flatulento que nos fez dispersar antes do tempo previsto. Assustados com a impressionante capacidade da criatura de infestar um ambiente tão grande, seguimos rapidamente nosso caminho agora em direção a pacata São Martinho, por uma longa, inédita e empoeirada estradinha de chão. Na descida esburacada perdi meu terceiro pisca Cateye e mais uma luva, que por ser nova – me fez voltar o suficiente até encontrá-la. Por sorte, antes de precisar subir o que tão felizes havíamos descido. Paramos em outro super para comprar água gelada e um simpático e pessimista nativo profetizou chuva para os minutos seguintes. Olhamos para cima desconfiados e não botamos fé na amargurada sentença. Foi só sentar no desconfortável banco da empoeirada bicicleta e dar a pedalada inicial que começaram os primeiros pingos.

De São Martinho até São Luiz – pequena comunidade de Imaruí aonde se localiza a gruta da Santa Albertina -, capengamos morro acima por uma estrada bastante ruim para se pedalar. Valas que aparecem do nada, pedras que saltitam, areias movediças e sapos-mamutes arrotando assustadoramente deram o tom do bizarro momento. Pelas máquinas encostadas que avistamos, tem-se a impressão que estão mexendo no lugar, mas o solo é tão ruim que fica difícil acreditar que aquele trecho um dia vai melhorar. Não demoramos para chegar no topo e paramos apenas para comprar mais água. O tempo mudou completamente e junto com a garoa, veio o frio mais intenso. Uma longa e perigosa descida ganhou forma com o barro duro e liso e vários carros subindo em sentido contrário. A chuva apertou e os freios já não obedeciam como deveriam. Chegamos na planície já quase escurecendo e uma forte ventania contra dificultou bastante o trecho final dessa cansativa empreitada. A momentânea felicidade do Marcelo causava estranheza, já que declaradamente o ser detesta pedalar na chuva.

O forte vento forçou a desagradável situação até mais próximos de ladearmos a imensa lagoa. Com a calmaria, diminuímos o ritmo e seguimos conversando descontraidamente até nos depararmos com uma íngreme e inesperada subida. Bastante cansados e com o forévis latejando e já imaginando que subir aquela ladeira estava com todo o jeito que não iria dar certo, desmontamos humildemente das sofridas bicicletas e demos aquela empurrada marota para relaxar o forévis e dar uma esticadela nas maltratadas pernas. Estávamos perto e não demorou muito para chegarmos no nada belo hotel - faltando pouco mais de vinte minutos para as dezenove horas. As bicicletas dormiram fora e isso causou um certo desconforto, mas procuramos não pensar muito nisso – já que mal havia espaço para os malfadados pseudociclistas no apertado quarto. Estávamos em Imaruí e afinal de contas, a bandidagem por ali, só por encomenda. De banho tomado, atravessamos a rua e lanchamos o X-Egg de praxe. A batatinha frita agradou e terminamos o refri assistindo o Figueirense perder na estreia do brasileiro. Segundo dia de três... 80 km rodados, enrugados e consideravelmente cansados, dormindo num simplório hotel, mas (pasmem!) com uma atriz pornô de vizinha de porta. 

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Comentários
Qui, 04 de setembro de 2014
escrito por: Cristiano Vieira
Legal, fiquei com vontade de me aventurar também. Mas, fale mais da atriz... hehehe.
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