Seg, 22 de junho de 2015
Longa esticada num domingo desses quaisquer, um pouco antes do inverno chegar
Escrito por: Rodrigo Martins
   

Após matutar éons e outro tanto para criar coragem de coçar as nossas mal providas carteiras, finalmente decidimos migrar para as tão faladas 29” e o pedal da ocasião era meio que a estreia dos nossos novos brinquedos. Entre pesquisar, escolher, pechinchar, pagar e buscar – passamos algumas semanas atabalhoados na função e deixamos a encargo do Éder decidir por onde iríamos beirar desta vez. Nova Trento seria e para lá seguimos desagradavelmente cedo, bem antes da alvorada. Roberto optou por ficar estarrado no seu sofá (que jura ele ter propriedades rejuvenescedoras...) e desistiu em cima da hora. A previsão era de chuva, mas passamos uma manhã aprazivelmente nublada sem sofrer com o recorrente calor das últimas semanas. Sete e pouco da manhã e o compasso já estava ardendo com os trinta e tantos quilômetros iniciais só de subida.

A cada pontezinha cruzada, o rio do Braço revezava de lado, mas gentilmente continuava nos acompanhando. A primeira parada foi em Pinheral, um pequeno vilarejo de colonização predominantemente polaca já em terras majorcinenses – cercanias afamadas pelo bom vinho ali produzido. Ruas exageradamente desertas e com as vendinhas fechadas fez o trauma das panças vazias ganharem ares de revival.  Marcelo farejou ao longe um cheiro de fome e nos guiou a uma bodega bem simples e bastante escondida, mas que caprichou no X-alguma coisa servido. A Coquinha gelada fez o corpo esfriar e tiritamos ao retornar ao passeio. De barrigas cheias e mascando um Trident sabor canela para deixar a alomba para trás - finalmente descemos o equivalente aquilo que havíamos subido.

Na parte baixa, seguimos pedalando no plaino, agora ladeando o rio Tijucas. Com os eventuais respingos que caíram no início da tarde e um pouco preocupados com a repentina friagem, puxamos as capas de chuva para agasalhar melhor a carcaça. Entre uma pequena subida e outra, no meio do nada cruzamos com aquilo que parecia ser uma animada rave com ares caipira, com trocentos carros estacionados ao longo da estrada e que surgiram sabe-se lá de onde. Enquanto descansávamos numa grutinha e ouvíamos o bate-estaca ecoar floresta adentro (embora sem avistar nenhum ser humano por perto), Marcelo aproveitou o bem cuidado banheiro e por garantia foi dar aquele barrelote básico.

O cheirinho de café da tarde que pairava no ar era o indício de terras povoadas e que tão logo chegaríamos ao fim da longa aventura. Com a fome em evidência, fizemos mil planos sobre o que comer na padaria mais chique que sonhávamos encontrar mais além. Bolinho de chuva foi unanimidade e sugerir uma Pureza em garrafa de vidro me pareceu algo pretencioso demais para aquele momento. Ainda pedalamos um bocado, sobretudo cruzando aqueles chatinhos paralelepípedos. Bastante cansados após os mais de noventa quilômetros rodados, seguimos direto para o merecido lanche de fim de tarde e sentar numa cadeira confortável me encheu de alegria e fez até eu parar de olhar feio para o banco duro das bicicletas que ficaram estacionadas poucos passos adiante. O desempenho das novas “vinte e nove” agradou demais gerando muita conversa sobre, embora sabíamos que criar o desapego pelas antigas GT/Scott que tantas alegrias nos proporcionaram ao longo dos últimos anos, era um processo que ainda precisávamos trabalhar melhor. Bicicletas amarradas, sorrisos escancarados e tapinhas nas costas, restava agora apenas a viagem de volta até Florianópolis. Pelo retrovisor, víamos um movimentado entardecer na pacata Nova Trento. Lembro que viemos ouvindo a final do Carioca entre Vasco e Flamengo pelo rádio mal sintonizado e não demorou muito para eu pegar no sono e acordar só mais perto de casa. Sorte ter um amigo singular, daqueles que não dorme nunca e que além de tudo gosta de dirigir...

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Comentários
Seg, 22 de junho de 2015
escrito por: Antônio Carlos de Azevedo
Como sempre... Fotos, texto, muito bacana!

Cicloabraços!

Tuquinha

Obs; Fui em Balneário, para comer uma pizza e estava fechada, pra reforma, confere? Rsrs
Seg, 22 de junho de 2015
escrito por: Paulo Silva
Curti muito a aventura, sensacional, e a narrativa do texto show... não pouparam nem o Barreado kkk parabéns por mais esta aventura...abraço....
Ter, 23 de junho de 2015
escrito por: Diego
O grande diferencial da página, para mim, mais que as belas fotos, são o compartilhamento das informações do trecho percorrido. Parabéns
Qui, 02 de julho de 2015
escrito por: Moca
Boa noite, já algum tempo aderi a roda 29 e roda muito bem, passeio muito legal, quanto ao bate estaca, acredito num ditado antigo que diz o seguinte: Quem tem o melhor equipamento de som tem o pior gosto musical... ABCS.
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