Qua, 26 de junho de 2013
MIGUÉLAX
Escrito por: Rodrigo Martins
   

Inspirados no evento ciclístico da moda, resolvemos fazer a nossa própria versão do AUDAX, porém incorporando alguns elementos preguiçosos mais característicos de nossa parte. O grau de dificuldade que optamos é simplesmente ridículo e a quilometragem não passou dos quarenta quilômetros, sendo que dividimos em duas etapas separadas por um mês de intervalo, imaginando que assim ninguém reclamaria de cansaço – o que não foi bem o caso. Estavam inscritos quatro dementes, sendo que um faltou alegando medo de criaturas fantásticas que vagueiam após o anoitecer. De início achei absurdo, mas levando em conta a constante presença de uivos, vultos e silhuetas flutuantes pelo qual nos deparamos durante a acanhada jornada pela escura região... acabou passando até como uma desculpa razoável. O primeiro dia do inusitado pedal foi numa dessas madrugadas quaisquer aonde nada de diferente acontece. Já que a Dona Vanderleia só frita seus encantados pasteis em pedaladas especiais, saímos com esse pedal das trevas para ver se comovia nossa irredutível nutricionista, embora sem esperança alguma, pois um “não” nesses inconvenientes pedidos é sempre esperado. Quando atendi o telefonema confirmando a brincadeira, quase lacrimejei! Pouco após as 5h e já estávamos pedalando pela recôndita região de São Pedro de Alcântara e cercanias.

Pareceu ser um trajeto bacana, mas o negror do momento não nos permitiu enxergar muita coisa e a diversão ficou focada nas estranhas sensações de se pedalar sem muita referência visual. Enquanto comíamos os famosos pasteis sentados ao relento, combinamos de refazer o pequeno trecho em algum dia iluminado e apenas algumas semanas depois, agora perto do dia clarear, retornamos para a mesma brincadeira e novamente pedalar os tais vinte quilômetros. Na reprise, fomos surpreendidos por um frio absurdo bastante fora de hora, o que nos fez iniciar o passeio completamente encarangados - ilustrados com a saudosa e típica fumacinha saindo pela boca em cada bobagem proferida por um dos seres “pedalantes”.

A primeira parte do passeio é uma longa descida asfaltada e sombreada – com o ar gelado insistindo em maltratar nossas narinas. Na empolgação, nem demos bola para o frio xarope, só percebendo lá embaixo, quando mal conseguíamos mexer os dedos para poder frear as bicicletas. A segunda parte do percurso é o oposto da primeira: ao invés de asfalto, descida, sombra e frio - topamos com uma bela estradinha de chão sempre subindo, sol e um muito bem-vindo calor. Geralmente reclamamos dessas subidas um pouco mais longas, mas com o frio que fazia, queimar as canelas morro acima nunca foi tão divertido.

Pelo caminho cruzamos por várias carruagens com motocas na corcunda. Um dos empolgados motoristas encostou ao nosso lado e gentilmente avisou que mais a frente haveria um encontro de motoqueiros e a expectativa era de pelo menos 900 motos vagueando por aquela mesma estrada, alertando-nos para tomarmos o devido cuidado já que pedalávamos em sentido contrário ao fluxo (bem a nossa cara isso). Até rimos sem sequer conseguir visualizar a ideia. – Não tolo, vão estar todas as motos do mundo em São Pedro de Alcântara – debochamos mentalmente. Seguimos nosso rumo mirando agora o Bar do Zezo, na expectativa da sonhada Pureza em garrafa de vidro – e até então, nada de motocas pelo caminho. Retas e descidas dali para frente e ao contrário de alguma meia hora atrás, fazia bastante calor.

Mal havíamos acabado de tomar o santo líquido e um estrondo nos fez pular da cadeira. Fim do mundo em São Pedro de Alcântara não parecia ser algo justo. Na esquina ao lado foi dada a largada do tal encontro de motoqueiros. Faladores que somos, queimamos a língua, pois mil motos foi pouco. Difícil de entender de onde saiu tanta motoca. Algum portal para outra dimensão ou algo parecido. Prestigiamos por algum tempo o bacana evento (ainda não entendendo de onde surgiu tanta motocicleta) e de resto, foi só amarrar as bicicletas no carro e seguir de volta para casa com tempo de sobra para uma bela soneca antes do almoço. Essa fase de migués constrangedores passou e o nosso foco agora é se preparar para a próxima viagem que tão logo sairá do papel. Fechando datas, riscando trajeto, contando as moedinhas e esperando ansiosos por mais uma longa e divertida viagem.

« Pedalada Anterior
Lido 1112 vezes
Comentários
Qui, 27 de junho de 2013
escrito por: Eleonesio Diomar Leitzke
Para variar o relato é divertidíssimo....o redator é deveras criativo...hehehe....Mas cá entre nós, os amigos andam preguiçosos....kkk, venham dar uma volta aqui, para eu lhes meter em alguma roubada....
Qui, 27 de junho de 2013
escrito por: Juan Pablo Berny
Hahaha, muito bom! As fotos ficaram bem bacanas ;)

Vcs deram sorte com relação as motos, eim. Continuem assim, por favor!

Abraços o//
» Postar um comentário
Patrocínio
Pizza Bis
Apoio
LaiLai EntregaBeleza BikFURBO ConfecçõesOndePedalar.com.br
Sigam-nos
© 2018 - pedaladas.com.br
Desocupado N°: 377028