Sex, 30 de dezembro de 2011
"Season Finale"
Escrito por: Rodrigo Martins
   

Como o que importa é a jornada e não o destino, para a “saideira” de 2011 aparentemente qualquer coisa servia. Algumas idéias absurdas foram previamente descartadas durante a semana e em cima da hora acabamos optando por encerrar o ano pedalando no município de Bombinhas, lugarejo com algumas das praias mais bonitas do país. Bombinhas é o menor município do estado e ali vivem cerca de 10 mil felizardos, poucos passos distantes do encantador litoral catarinense. Mariscal, Sepultura, Retiro dos Padres e Quatro Ilhas são algumas das praias mais bacanas que já visitamos e voltar é sempre um enorme prazer, mesmo tendo que sair absurdamente cedo de casa. Bem antes do alvorecer já estávamos seguindo de carro pela obscura 101, lamentando o sugestivo negrume da torturante madrugada (por que não estou na minha cama dormindo?). Entre amarrar as bicicletas, ajeitar as tralhas e seguir viagem - foi-se algum tempo. Iniciamos efetivamente o nosso mais recente pedal um pouco depois das 7h, já com o sol manifestando a intenção de esquentar bastante nossos cocurutos. Saímos de Porto Belo um pouco desconfiados, já que o trajeto apontava para uma considerável elevação. Na busca por novas estradinhas de chão para se pedalar, eventualmente arriscamos alguma coisa morro acima sem ao menos saber para aonde estamos indo.

Começamos nossa derradeira pedalada por uma bela e surpreendente estradinha que elevou nossos ânimos. Ao longe, mas nem tanto, ouvíamos a irritante melodia “bate-estaca” de uma aparente animada rave – tornando a íngreme subida pela mais absurda das estradas ainda mais desagradável.

E falo de “estrada” numa visão muito otimista da situação. Na breve e aleatória espiada no mapa da região buscando qualquer coisa ainda inédita por nós - haviam duas opções de caminho: “estrada de terra” ou “trilha 4X4 pesada”. Se estávamos pedalando na parte boa, na tal “estrada de terra” - nem quero imaginar como diabos seria a tal obesa trilha...

Penamos um pouco por algum tempo empurrando as bicicletas pela estrada do além, ladeira acima. Perto do cume, a festa de crateras foi ganhando trejeitos de estrada novamente e tão logo chegamos numa região fantástica de onde conseguimos avistar boa parte da região.

Tempo para apreciar a paisagem, enxugar o suor da testa, bebericar um pouco da água quente (quase tal qual um horroroso chá de nada) e esticar as pernas capengas. O sol ainda não estava no seu ponto mais alto e já sofríamos demais com o exagerado calor. Por sorte, a bela estradinha que se seguiu era quase toda sombreada, amenizando um pouco o divertido sofrimento.

“Tudo o que sobe desce!”... Sem contrariar o dito de sabedoria popular, descemos quase que infinitamente (mais até do que subimos).

Perto do mar já não estava tão quente. Precavidos, trouxemos nosso próprio lanche e enquanto descansávamos, abastecíamos nossas panças com o mais saboroso pastel da famosa quitanda “Dona Vanderléia” e ainda trincávamos nossas têmporas com a mais gelada das Pepsi Cola. Fernando, agora pastor da Igreja dos Veganos, trouxe seu lanche direto da casa “Sem Sabor & Cia” e ainda fez cara de feliz.

Satisfeitos, reiniciamos nossa jornada já perto do meio-dia. O trecho em diante era todo asfaltado e ainda tínhamos que disputar espaço com os dilatados carros no atabalhoado trânsito local, penando morro acima outra vez. Nada que tirasse a alegria de estar pedalando por um local tão bacana. O protetor solar foi repassado várias vezes e ainda assim foi pouco. Água, refri, picolé... parávamos em intervalos regulares em qualquer birosca que aparecia pela frente somente para jogar alguma coisa gelada para dentro, a fim de poder suportar o escaldante momento. Apesar do forte calor, chegamos bem – satisfeitos por mais um ano cumprido. Pertencentes a minoria proletária, temos apenas os domingos pela manhã para satisfazer nossa vontade de pedalar e o tempo não ajudou muito esse ano. De fato pedalamos menos do que gostaríamos. Enquanto estamos na estrada, estamos pensando em coisas boas! Num ano em que a tal “presidenta” Dilma tomou posse, Hebe Camargo ainda continua irritando eternamente na TV, “trocentos” ciclistas foram incompreensivelmente atropelados em Porto Alegre (e o debilitado mental ainda continua solto)..., um retardado invadindo uma escola no Rio para matar 12 alunos, Tsunami destruindo o Japão e tantas outras catástrofes, gente faltando ao trabalho para poder ver em casa o casamento do Príncipe William e Kate Middleton, Osama é morto (?), FHC defendendo o uso da maconha, Gretchen trabalhando de garçonete nos EUA, Harry Potter terminando sem que ao menos o afeminado rapaz tirasse uma pequena lasca (ao menos!) da princesa Hermione, Steve Jobs morrendo antes de Bill Gates (mundo injusto), Fátima Bernardes deixando o Jornal Nacional e ainda por cima - o Corinthians sendo campeão e blá, blá, blá... Num mundo tão sem sentido, pedalar certamente nos faz pessoas melhores. A resolução de final de ano é certeira: pedalar mais e ficar menos em casa, principalmente na frente da TV se embasbacando com tantas notícias ruins.

Menos televisão e mais pedaladas no próximo ano então (pelo menos até que encontrem novos episódios perdidos do Chaves...). Um 2012 repleto de muitas aventuras em cima de uma bike para toda a erudita classe ciclística! Estamos agora oficialmente de férias e quando conseguirmos curar nossa tenebrosa ressaca do desregrado réveillon que está por vir... dia desses qualquer em que o forte sol der uma trégua, estaremos de volta ao batente.

Um belo início de 2012 para todos nós!

... E que o Senhor Miyagi continue nos protegendo.

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Comentários
Sex, 30 de dezembro de 2011
escrito por: João
Tábua grande, mão direita. Tábua pequena, mão esquerda... ta,ta,ta Daniel-san! Focalize!! hahahaha... muito bom. Felicidades para vocês também, gabiruzada. Boas pedaladas para todos nós em 2012!!!
Quitanda da Dona Vanderléia... onde fica isso?
João Doggett.
Seg, 02 de janeiro de 2012
escrito por: Ana Lúcia
Ja fiz essa trilha da mesma maneira que vcs, subindo a antiga estrada " perrengue total", muiuto bom, compensador..
Seg, 02 de janeiro de 2012
escrito por: Aline Souza
Show de bola o pedal.
Fiquei impressionada em como vocês são mau humorados ... ou será apenas o redatos?! (rsrsrs)

FELIZ 2012 e muitos pedais para todos NÓS!!!
Seg, 02 de janeiro de 2012
escrito por: Odair Junior
Olá galera do Pedaladas!
Com certeza somos afortunados em pedalar mais e ver menos TV :)
Infelizmente aqui no interior de SP não temos a mesma sorte, pois pegar a estrada (mesmo as de terra!) corremos o risco de perder a vida por conta de assassinos e suas armas de quatro rodas transitando com a "cabeça cheia de alcool". Assim que o jeito é esperar terminar as festas de fim de ano pra voltar "um pouco" ao normal rs
Um 2012 repleto de pedaladas para todos nós!
Parabens pelas belas imagens e relatos!
Ter, 03 de janeiro de 2012
escrito por: Waldson (Antigão)
Ah, nada como encerrar o ano com chaves de ouro, hein!
A "estrada de terra" salpicou um pouco de pimenta no tempero, tornando a pedalada de fim-de-ano ainda mais "saborosa".
Parece que os alforjes "home made" cumpriram plenamente as suas missões!
Parabéns pelo pedal, fotos, narrativa e tudo o mais!

Que o Ano de 2012 reserve para todos nós cada vez mais espaço para o pedal nosso de cada dia, com muita saúde, paz e harmonia! (rimou!!!)

Grande abraço!
Ter, 03 de janeiro de 2012
escrito por: Fabiano Costa
HUm, pelo menos nessa vcs não precisaram levar aqueles sacos de lixo gigante nas traseiras... agora levar frituras pra trip de bike... só vcs mesmo... feliz 2012 raça pedaladeira!
Ter, 03 de janeiro de 2012
escrito por: Moca
Feliz ano novo a todos, segue uma dica para quem quiser pedalar de novo de floripa as praias da região, existe uma antiga e quase desconhecida estrada entre a comunidade de santa luzia em Tijucas até zimbros, beirando toda a foz do rio Tijucas que desnboca no mar,um bom ano a todos ...
Qui, 05 de janeiro de 2012
escrito por: lucas goulart
Muito bom!! Já fiz essa estrada a pé e a visão de de lá de cima é demais mesmo!!
Seg, 16 de janeiro de 2012
escrito por: Tomás utrilla gigante
muy bien dicho, todo lo que sube,baja y parece un circuito bonito y muy verde,yo soy mas de carretera porque de que cojo la bici de montaña cuando llego a casa esta sucia y sin embargo la bici de carretera no hay que limpiarla!!!!!!
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