Dom, 22 de setembro de 2013
Viajando no feriadão do Dia dos Fiéis Defuntos: terceira e última etapa, de Angelina até as nossas aconchegantes camas
Escrito por: Rodrigo Martins
   

Conforme combinado na assembleia da noite anterior, o trio de pseudo-ciclistas levantou cedo, embora não muito de bom grado. Trajados a caráter e de rostos lavados, seguimos em comboio zumbi se arrastando escadaria abaixo em direção ao refeitório, aonde segundo a panfletagem enganadora indicava que o café da manhã seria servido pontualmente às 7h da madrugada angelinense. Estarrados a mesa e ainda filosofando sobre os malefícios que acordar cedo provoca a nossa serenidade, presenciamos um agitado inicio de manhã no espaçoso restaurante aonde teoricamente, naquele momento, já deveríamos estar comendo. Aparentemente um empolgante arrasta-pé na região gerou uma ressaca coletiva nas moças que trabalham na cozinha, deixando o Senhor Raul (o mandachuva local) bufando adoidado. Com as panças convenientemente estufadas, garrafinhas enchidas e os rostos melecados com bastante protetor solar, zarpamos antes mesmo do irritante badalo das oito horas e poucos minutos após, já estávamos suando aos montes no íngreme aclive inicial. Simpaticamente o universo nos sorriu - fazendo o vento soprar a favor na longa subida e mantendo enquanto pôde a estrada sombreada. Nossa meta era chegar em casa a tempo de ainda conseguir filar o almoço, evitando assim mais um maltrato desnecessário aos inocentes estômagos em outra sinistra baiúca qualquer.

O sinuoso trecho entre Angelina e Florianópolis possui um significado bastante especial para o nosso perturbado grupo, pois foi meia década atrás que penando nesse trecho tão simples e bucólico que a história desse famigerado blog começou. Pedalar sessenta quilômetros naquela época parecia uma eternidade e desde então muita coisa aconteceu. O grupo cresceu e tampouco as bicicletas são as mesmas. Hoje enveredamos por aventuras muito mais longas e elaboradas, estamos melhores providos do necessário e cada vez mais se desapegando do improviso e da enjambração, sem nunca deixar de se divertir com as presepadas estrada afora. Olhamos esse trecho sempre com um carinho diferenciado e procuramos na medida do possível repeti-lo, reverenciando de alguma forma o bondoso destino.

*fotos históricas e inéditas da nossa pedalada fundamental em meados de agosto de 2007, na ocasião da nossa primeira empreitada além dos limites das quadras do bairro, numa época em que achávamos que quem pedala deveria aparecer mais nas fotos do que as protagonistas bicicletas (pasmem pelo momento retrô, achando bonito ser feio...).

Lá pelas tantas, esquentou um bocado, o que passou praticamente despercebido já que no sentido Angelina → São Pedro de Alcântara a tendência é sempre descer. Nesse ponto da viagem já focávamos a tradicional parada no Bar do Zezo, autoridade máxima da região em se tratando da angelical Pureza em garrafa de vidro, o nosso elixir das boas pedaladas...

Da cidade de “Pedro, o santo” para frente - nada de novo. Inclusive é um trecho meio xarope de ser feito, já que é todo asfaltado e bastante movimentado e em sua boa parte - carente de  acostamento. Nesse ponto Marcelo sugeriu um trajeto alternativo garimpado no Google Earth e o seguimos de muita boa vontade. De início pareceu ser deveras bacana, longe dos carros e em boa parte sombreado. Na medida que fomos avançando as coisas mudaram... o lugarejo se revelou horrendo, cheio de morros e vários casqueiros só nos espreitanto. Nem sabia que havia lugar tão feio assim não tão longe de casa. A pior parte foi quando começamos a subir com mais ênfase e quase na metade do morro, já esbaforidos e expelindo o ar pelas ventas aos montes - um milhão de moscas surgiram zumbindo ao nosso redor numa fedentina dos infernos. Logo à frente nos deparamos com o desagradável motivo: uma vaca decapitada estatelada no asfalto. De revesgueio, torcemos o nariz para o Marcelo que só deu de ombros naquele momento. Seguimos um pouco irritados com o infeliz destino que aquele pobre animal sofreu, embora cientes de que naquele momento nada mais poderíamos fazer. Pelo menos a fome passou (ou ao menos a vontade de comer) e ganhamos um estímulo a mais para chegar mais rápido em casa. Não fosse pelo atraso das faceiras de manhã cedo, teríamos chegado no horário previsto em nossas vivendas. Nada que o bom e não tão velho microondas não resolva.

Em tempo: embora preocupados com a chuva que insistentemente não para de cair por terras catarinenses, na semana que se segue estaremos na estrada para mais uma tradicional cicloviagem de sete dias. Desta vez desbravando o planalto catarinense sobre duas rodas e passando por alguns dos pontos mais frio do país, esperando de forma muito otimista uma melhora nesse tempo insensível. Atualizações sobre o deslocamento, presepadas e o nosso paradeiro - em tempo real via Twitter, exposto em algum lugar aqui mesmo, nesse notável site de entretenimento ciclístico gentilmente prestigiado pelos desocupados de plantão que se indentificam com a ideia bacana de sumir de bike de vez em quando. Boa viagem para todos nós!

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Comentários
Dom, 22 de setembro de 2013
escrito por: Eleonésio Diomar Leitzke
Para variar um relato divertido e bem escrito e lindas fotos. Parabéns e boa viagem, agora que já tenho uma noção do percurso.
Dom, 22 de setembro de 2013
escrito por: Éder Strutz
Fantástico Pessoal.... Todos estão de parabéns pelo pedal!!! continue sempre assim!
Dom, 22 de setembro de 2013
escrito por: JEDSON
É o primeiro relato que o vento ajuda. Belo passeio e fotos, aguardo ansioso relatos da próxima viagem.
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